Abordagem nutrológica da Dor


Nos últimos 7 anos tenho recebido vários pacientes com dor, principalmente ortopedica/reumatológica. Um dos meus melhores amigos (Dr. Pedro Paulo Prudente – Médico do esporte e Acupunturiatra, neuromodulação funcional) é quem me encaminha a maioria desses pacientes. Como o Dr. Pedro já atua na área da dor há mais de 11 anos, ele sabe que a abordagem nutricional pode agregar muito no tratamento da dor, dos mais diversos tipos. Bem como, abordagem fisioterapêutica, psicoterápicas e do profissional de educação física.

Sendo assim, eu e meu nutricionista (Rodrigo Lamonier) nos vimos obrigados a debrucar sobre esse vasto tema. O tipo de abordagem dietética para alívio da dor e as particularidades de cada tipo de dor. Afinal, uma coisa é a dor abdominal na síndrome do intestino irritável, outra coisa é a dor da fibromialgia, dor articular na síndrome de Ehlers Danlos, dor neuropática, dor da enxaqueca. Ou seja, há particularidades de acordo com a causa.

O que percebemos ao longo dos anos com a nossa prática clínica e olhando na literatura as evidências, é que existem abordagens nutricionais e dietéticas que podem auxiliar no alívio da dor, dependendo da causa subjacente. Já que a nutrição desempenha um papel importante na modulação da inflamação, na saúde do sistema nervoso e na promoção da recuperação geral, o que pode influenciar diretamente a percepção da dor.

Abaixo estão algumas estratégias nutricionais que podem ser úteis:

Dieta rica em alimentos com ação antiinflamatória:

Alimentos ricos em ômega-3: Peixes gordurosos (salmão, sardinha, atum), sementes de linhaça, chia e nozes, semente de girassol têm propriedades anti-inflamatórias que podem ajudar a reduzir a dor associada a condições inflamatórias, como na osteoartrite e na artrite reumatoide. Principalmente quando combinado com atividade física específica, acupuntura, tratamento por onda de choque, fisioterapia.

Frutas e vegetais: Ricos em antioxidantes (como vitamina C, E e polifenóis), ajudam a combater o estresse oxidativo (produção excessiva de radicais livres gerado pela inflamação) e o processo inflamatório. Exemplos: frutas vermelhas, cítricas, crucíferas como couve, brócolis, repolho. Romã, açaí.

Especiarias: Cúrcuma (curcumina) e gengibre têm efeitos anti-inflamatórios e ja há produtos da indústria farmacêutica com o extrato de ambos. A dose deverá ser avaliada pelo médico.

Gorduras saudáveis: Azeite de oliva extravirgem, abacate e oleaginosas contêm gorduras monoinsaturadas e compostos bioativos que pode auxiliar na redução da inflamação.

Redução de Alimentos Pró-inflamatórios:

Evitar alimentos ultra-processados, ricos em açúcares refinados e principalmente em gorduras saturada e gordura trans. Visto que, eles podem aumentar o processo inflamatório e risco cardiovascular. Alterando também a percepção da dor, além de alterar a microbiota intestinal. Existe um ponto controverso que é a redução do consumo de carnes vermelhas e laticínios gordurosos (devido a quantidade de gordura saturada), que podem contribuir para processos inflamatórios em algumas pessoas. Isso não é válido para todos os pacientes, ou seja, a retirada de tais alimentos deve ser feita de forma programada e depois uma reintrodução com observação de sintomas (quantificando por escalas a melhora ou piora da dor). Qualquer coisa fora disso consideramos iatrogenia médica. O mesmo vale para glúten. Há pacientes que possuem sensibilidade não celíaca ao glúten e que quando consomem glúten apresentando piora da dor. Por isso, faz-se necessária a abordagem com nutrólogo e nutricionista que saibam o que estão fazendo e mais do que isso, consigam ensinar para o paciente, como ter uma autopercepção de melhora ou piora da dor.

Nutrientes Específicos para o Controle da Dor

Magnésio: Encontrado em folhas verde-escuras, sementes de abóbora, amêndoas e grãos integrais, o magnésio ajuda a relaxar os músculos e pode aliviar dores musculares e cãibras. A dosagem sanguínea não deve ser feita rotineiramente, pois, o nível sanguineo não representa os níveis intracelulares (níveis reais). Além disso, há vários tipos de sais de magnésio e podem surgir efeitos colaterais com a utilização deles. Nunca autossuplemente.

Vitamina D: A deficiência de vitamina D está associada a dores crônicas, como fibromialgia e dores musculoesqueléticas. Exposição solar moderada e consumo de peixes gordurosos, ovos e suplementos (se necessário) podem ajudar.

Vitamina B12 e ácido fólico: Importantes para a saúde do sistema nervoso, podem ajudar em casos de dor neuropática. Fontes: carnes, ovos, laticínios e folhas verde-escuras. Aqui vale um adendo, as pessoas acreditam que B12 ou Ácido fólico não são deletérios. São. Não se autossuplemente. Há trabalhos que mostram que ambos podem aumentar risco de tumores sólidos, bem como risco cardiovascular. O déficit aumenta o risco de infarto, avc, mas o excesso também. Além disso, B12 e ácido fólico podem reduzir os níveis de ferro e B6.

Controle do Açúcar no Sangue:

Manter níveis estáveis de glicose no sangue pode prevenir dores associadas a neuropatias diabéticas. Priorize alimentos com baixo índice glicêmico, como grãos integrais, legumes e vegetais.

Hidratação Adequada:

A desidratação pode piorar dores de cabeça e dores musculares. Beber água suficiente e consumir alimentos ricos em água (como melancia, pepino, chuchu, tomate e abobrinha) é essencial.

Dietas Específicas para Condições Específicas:

Dieta Low FODMAP: Pode ajudar pacientes com síndrome do intestino irritável (SII) a reduzir dores abdominais e desconforto gastrointestinal. Bem como, alguns trabalhos mostram benefício da Fibromialgia.

Dieta sem Glúten: Para pacientes com doença celíaca ou sensibilidade ao glúten não celíaca, a exclusão do glúten pode aliviar dores articulares e abdominais.

Dieta Cetogênica: Em alguns casos, como enxaquecas ou dores neuropáticas, a dieta cetogênica (rica em gorduras e pobre em carboidratos) pode ser benéfica. Também tem mostrado benéfica em alguns casos de lipedema.

Suplementação

Em alguns casos, suplementos como ômega-3, curcumina, glucosamina, condroitina podem ser recomendados para alívio da dor, mas sempre sob supervisão do Nutrólogo e/ou Nutricionista.

Acompanhamento Individualizado

Cada paciente responde de maneira diferente às intervenções nutricionais. É essencial que o Nutrólogo (com ênfase em Nutroterapia na Dor) avalie as necessidades individuais, considerando a doença de base, o tipo de dor, condições de saúde (comorbidades), história médica prévia, história patológica familiar, uso de medicações, hábitos de vida.

Uma abordagem nutricional adequada pode ser uma ferramenta importante (mas não única) no manejo da dor, especialmente quando combinada com outros tratamentos médicos e mudanças no estilo de vida. No entanto, é fundamental que qualquer alteração na dieta seja feita por um Nutrólogo e nutricionista para garantir segurança e eficácia

Autor: Dr. Frederico Lobo – Médico Nutrólogo – CRM-GO 13192 – RQE 11915

Dr. Frederico Lobo
Médico Nutrólogo

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